Vídeo de catador ajudando neto a ler palavra em ônibus em Fortaleza viraliza; assista

  • 15/04/2026
(Foto: Reprodução)
Vídeo de homem ajudando neto a ler palavra na traseira de ônibus viraliza em Fortaleza Uma cena filmada no trânsito de Fortaleza chama a atenção desde o último domingo (12). Sentado em um carro usado para a coleta de materiais recicláveis, um menino presta atenção enquanto um adulto ajuda a soletrar a palavra “Vitória” na traseira de um ônibus. O episódio aconteceu na avenida Mister Hull, importante via que liga Fortaleza a Caucaia. A criança é o Moisés Lincoln, de 7 anos. Ele estava com Carlos André Marques, de 44 anos, que trabalha nas ruas de Caucaia e Fortaleza como catador de materiais recicláveis. ✅ Clique e siga o canal do g1 Ceará no WhatsApp Moisés aprendeu a ler na escola e estava acompanhando o avô enquanto ele trabalhava no fim de semana. O momento de explicação com a palavra na traseira do ônibus surgiu como uma das muitas perguntas que a criança fez durante o trajeto. Como contou André ao g1, o menino gosta de acompanhá-lo quando está de folga das aulas. “Ele não pode ver nada que ele pergunta. Aí tem coisa que eu sei e passo para ele. Mas tem coisa que eu não sei, aí eu fico calado”, explicou. No episódio que viralizou nas redes sociais, Moisés tinha olhado para a palavra “Vitória”, nome da empresa de ônibus em Caucaia. Segundo o avô, o menino pensava que a palavra seria “ônibus” e teve dificuldade por não conseguir soletrar (confira no vídeo acima). Vídeo em que homem ajudava neto a ler palavra na traseira de ônibus, em Fortaleza, viralizou nas redes sociais Reprodução/Arquivo Pessoal Foi quando André ajudou, indo para perto do veículo e mostrando letra por letra. Naquele momento, o catador também explicou que aquele nome era o mesmo de uma tia de Moisés, que se chama Vitória Emily. “Ele é interessado. Por tudo ele se interessa. E eu acho bonito o jeito que ele se interessa pelas coisas”, comentou André. Outra curiosidade da criança foi para saber por que as letras “I” e “T” apareciam “coladas”. Foi quando o avô explicou que aquilo fazia parte da marca da empresa. O vídeo foi registrado pela fisioterapeuta Alline Santiago, que passava pela avenida e se emocionou com a cena. Estímulo aos estudos A família de Carlos André e Luciana se sustenta com a coleta de materiais recicláveis Arquivo Pessoal Antes de entrar na escola, Moisés estava sempre com André pelas ruas durante o trabalho dele como catador. Agora, ele cursa o 2º ano do Ensino Fundamental em uma escola da rede municipal de Caucaia. “Tem hora que ele fala as letras bem direitinho, aí depois ele esquece, aí ele retorna tudo de novo… É assim, quando a gente começa a ler, é desse jeito”, complementou a catadora Luciana Marques, de 38 anos, avó de Moisés. Embora sejam os avós da criança, Moisés é criado praticamente como se fosse filho do casal e se habituou a chamar André de pai e Luciana de mãe. Luciana também costumava andar pelas ruas para coletar os materiais recicláveis, que depois são separados e vendidos para redes ou empresas. No entanto, em 2023, ela foi diagnosticada com fibromialgia. As dores intensas no corpo dificultam até mesmo a realização de algumas atividades domésticas. O casal tem cinco filhos, com idades entre 15 e 22 anos. Eles se orgulham ao ver que eles têm se interessado para estudar e trabalhar, com a filha mais nova atualmente frequentando uma escola de tempo integral na rede pública. “A gente conversa com nossos meninos, até com os menores. Eu digo assim: ‘olha, a gente que é pobre não tem nada pra deixar pra vocês. O que a gente pode passar pra vocês é o futuro. Vocês vão lendo e aprendendo cada vez mais. O que vai levar vocês até pra fora do Brasil vai ser o estudo de vocês’... É o que a gente ensina”, relatou André. Durante a pandemia, os filhos de André e Luciana ficaram sem aulas presenciais e acompanhavam os pais nas coletas Arquivo Pessoal Moradores do bairro Parque das Nações, em Caucaia, eles vivenciam uma rotina de muitas dificuldades. Algumas delas são a falta de água encanada e de saneamento básico. A casa deles, à beira de um córrego, é de difícil acesso para alguns caminhões que poderiam buscar os materiais recicláveis que eles coletam. Segundo Luciana, isso fez com que eles tenham perdido vendas para redes que compram os materiais a preços melhores. Apesar das dificuldades, a família segue lutando para dar educação aos filhos e ao neto. Durante a pandemia, todos eles iam para as ruas ajudar na coleta de recicláveis, enquanto as aulas das escolas eram remotas. Sem ser alcançados por nenhum auxílio emergencial, eles conseguiram pelo menos receber um tablet para que as crianças continuassem a ter contato com os estudos. “As aulas eram online, a gente fazia a tarefa pelo tablet. O Moisés era pequenininho, ele ia numa cadeirinha na carroça de coleta. E de tarde, à gente ia, todo mundo junto. Ia pelo Parque Potira, Parquelândia, Centro de Fortaleza, Monte Castelo. Em 2022, a gente continuou indo, e eles voltaram a ter aulas na escola”, recorda Luciana. Como conta André, o estímulo maior vem da esposa. Ele lembra que, quando eles se conheceram, há cerca de 20 anos, ele não tinha documento de identidade. Foi Luciana quem o incentivou a ir a uma delegacia para tirar o documento. Mas antes, fez questão de ensiná-lo a assinar o nome completo. Repercussão “Olha aí, Moisés. Nós dois estamos bombando”, foi a reação de André ao perceber que a cena foi filmada e começou a viralizar em diversos perfis nas redes sociais. Para ele, o momento filmado não é muito diferente do que ele vive na rotina. Ele partilha que sempre procurou mostrar coisas novas aos filhos e à esposa durante os seus trajetos pelas ruas da cidade. “Meu sonho é ver meus filhos conhecendo as coisas. Tem muita coisa no mundo para ser explorada pela gente, né? Eu queria mostrar pra eles as coisas bonitas. Aí eu vou fazendo isso com ele [Moisés]. Eu boto ele dentro da carroça, e ele vai vendo e perguntando. A gente vê um caminhão bonito, eu mostro pra ele. Tudo que a gente vê de diferente, eu mostro pra ele”, explica André. Após a repercussão do vídeo, a família conta que tem recebido várias mensagens de pessoas que se emocionaram com a cena. De acordo com Luciana, uma moradora do bairro Henrique Jorge, em Fortaleza, entrou em contato para oferecer reforço escolar gratuito para Moisés. “Aqui perto não tem reforço escolar, e eu não tenho todos os estudos para ajudar. Não tenho mais aquela memória e aquele jeito para ensinar como antigamente”, comenta a catadora. A avó ficou emocionada com o gesto e relatou que vai tentar aproveitar a oportunidade para o neto, mesmo morando distante do bairro Henrique Jorge, que fica a cerca de 7 quilômetros de onde reside atualmente. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:

FONTE: https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2026/04/15/video-de-catador-ajudando-neto-a-ler-palavra-em-onibus-em-fortaleza-viraliza-assista.ghtml


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